Apresenta-se o fim deste site. Não porque fui curada, abençoada ou poupada por Deus.
Meu QI é 130, tenho boa formação acadêmica, sou autodidata e tenho o hábito de pesquisa. Ler, estudar e aprender são meu estilo de vida. E de morte. Pesquisei opções, taxas de efetividade, facilidade de acesso e diversas outras condições para modos de suicídio. Li documentos técnicos de eutanásia em animais. Aprendi a me enforcar corretamente, meu método de preferencia pela facilidade e rapidez. Aprendi teoricamente e pratiquei com cordão do sapato. Enfim, depois de alguns ensaios, a grande estreia foi um sucesso e cheguei a desmaiar.
Apresenta-se o fim deste site pois a próxima tentativa será a última e finalmente se interromperá a contagem de minhas mortes simbólicas. A morte me livrará da morte. O processo está refinado o suficiente e estou confiante de que a próxima tentativa será minha última conquista. Minha única conquista. Mas o medo do sucesso me mantém presa ao fracasso. Tenho medo de morrer, medo fisiológico, resposta orgânica imediata, instinto de sobrevivência. Não tentei novamente pois tive medo. Tive medo do sucesso e agora me resta escrever sobre o fracasso.
Fracassei em me matar, fracassei em viver. Tentei ser acadêmica, professora, business girl, romântica, puta, popular, baladeira, macumbeira, praticante de sanda e não consegui. Apenas testemunhei como sempre faltava alguns metros diante de mim, enquanto colapsei exausta e fracassada. Nunca cheguei ao fim. Cheguei somente à conclusão de que não fui nada que desejei. Venci a corrida errada e cheguei em primeiro lugar no pódio das testemunhas do ódio do Mundo. O amor da minha vida se foi, ninguém quer me comer e não consigo comer ninguém. Não consigo estudar para o mestrado, a vida de escritório é ridícula e medíocre. Ninguém me convida, meus convites são recusados. Sequer os remédios psiquiátricos oferecem qualquer perspectiva de conquista e são 7 anos de combinações fracassadas.
O medo de suceder na próxima tentativa me mantém presa às memórias de meus fracassos. A psicóloga fala sobre fazer as coisas por mim. Coisas que não dependem do Outro ou do Mundo.
Amarrar um fio no meu pescoço e descansar. Esse é o abraço mais afetivo que me foi destinado. Esse é meu mais verdadeiro gesto de independência, é o que consigo fazer por mim mesma. E do Mundo só preciso um ponto de apoio. Como disse uma versão podre de Arquimedes: apenas um ponto de apoio e me removerei do Mundo. Meu único sucesso.